"Fora da Caridade não há Salvação"

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

 

O Movimento Espírita

Todos sabemos pela história da humanidade, que o império do rei macedônio Alexandre foi o que mais se expandiu, o maior Império do mundo. Segundo Emmanuel, através da mediunidade fantástica de Chico Xavier, no livro A Caminho da Luz, depois da missão expansionista colonizadora de Alexandre, O Grande, em sequencia, veio o maior  Império do mundo em poder de influencia, o Romano, responsável pela propagação e inserção da cultura e língua romanas(latinas), do Oriente ao Ocidente, nas mais variadas culturas. Não por acaso! Dali, sem se darem conta, a Grécia e a prima irmã Roma, berços da civilização e da cultura na antiguidade, abririam caminhos, como precursoras para aquele que viria e encontraria o terreno preparado, na cultura e língua suavizadas e modificadas, pelo sangue de seus guerreiros, para  propagação e aclimatação da boa nova, à chegada do  Imperador dos imperadores, O CRISTO.

De igual forma, na atualidade, o Mestre e a espiritualidade sempre precisará de grupos, pessoas, líderes, gênios, sequenciados, cronologicamente, em movientos sociais  para expandir seu império de amor sobre a terra, desde os precursores  domínios materialistas expansionistas,  até os tão anunciados  domínios do coração  pela doutrina maravilhosa que nos legou no Evangelho, da sua própria boca, em passagem terrena: O ESPIRITISMO, O CONSOLADOR PROMETIDO.

O primeiro momento da doutrina espírita,  veio notadamente com  os fenômenos em Hydesville e das Mesas Girantes, respectivamente, nos Estados Unidos da América  e França entre  1848 e 1857, culminando com o LIVRO DOS ESPÍRITOS, resultado de pesquisas,  da observação direta do mestre de Lion, Allan Kardec,  para tais fenômenos. Com um novo universo de conceitos e entendimentos, acerca de uma realidade paralela  que se desdobraria e seria catalogada a partir dali. Viu-se o mestre às voltas com uma responsabilidade imensa: não só pela catalogação científica, mas no abalo pessoal das próprias convicções materialistas tradicionais. Além de mudar sua própria vida,  também passar ao mundo essa boa nova!!

Em 1858, Kardec fundou  a  ASSOCIAÇÃO PARISIENSE DE ESTUDOS ESPÍRITAS, e na época onde os informativos periódicos (semanais e mensais) , como revistas e folhetos ainda não  existiam, ele foi visionário,  mostrou-se exímio jornalista e relações públicas em  técnicas de comunicação e divulgação, criando A REVISTA ESPÍRITA. Essas técnicas,   décadas mais tarde, seriam utilizadas nos meios  de comunicação em massa.

Nesse momento, seu gabinete, com sede em Paris, se transformou numa avançada central de comunicação, na qual o Codificador passaria a externar, genialmente, suas múltiplas habilidades!

O número de assinantes da Revista era crescente e as cartas avolumavam-se sobre sua mesa. A todos respondia,  até mesmo os que lhe dirigiam cartas insultuosas. Na sua importante tarefa, mostrava-se insuperável na capacidade de trabalho e um assombro em matéria de organização. Passou a corresponder-se com mais de mil sociedades espíritas, no mundo inteiro, suprindo-as com inúmeras informações e novidades sobre o espiritismo.

Certa vez recebeu uma carta de admiração e agradecimento que lhe trouxe profunda emoção:  No  Peru, um simpatizante e leitor de O LIVRO DOS  ESPÍRITOS, em contato com indígenas incas, surpreendentemente, após diálogos em cima do livro, percebeu ter conquistado um amigo  com a idéia da reencarnação, “pois se teríamos várias vidas, certamente poderíamos ter sido  irmãos em alguma delas”, concluiu o nativo, suavizando sua austeridade, no entendimento paulatino das leituras!

Jamais desprezava a oportunidade de discorrer  sobre a doutrina perante a imprensa, ouvia com serenidade a todos acreditando que os próprios adversários, com o tempo, trabalhariam positivamente para a doutrina.

A partir de 1860 empreendeu viagens para verificar o poder de penetração do espiritismo nas grandes massas francesas e adjacências. Onde chegava palestrava, discursava e dava conferências. Paralelo a esse esforço de divulgação, continuou sem descanso na elaboração da codificação, agora, em O LIVRO DOS MÉDIUNS (1861). Na sequência, O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO (1864), e  durante o livro “O CÉU E O INFERNO” em 1865, com o surgimento de  vários  jornais e grupos espíritas, numa prosperidade reinante, o mestre apresenta seus primeiros sinais de cansaço, sendo advertido pela espiritualidade a não viajar como de costume. Mais descansado pelo repouso indicado, volta ao trabalho  e no seu último ano de vida conclui e publica “A GENESE”, em 1868, desencarnando em março de 1869, após ter imprimido, com todas as suas forças, inteligente transformação na SOCIEDADE PARISIENSE DE ESTUDOS ESPÍRITAS.

Nessa trajetória, pela fluente e respeitada atuação  como homem  do meio academico,  teve total colaboração de renomes científicos da alta sociedade da  época, convertidos ao espiritismo, coadjuvantes continuadores na divulgação, alguns:

CAMILLE FLAMARION - astrônomo Francês, aprofundou a ciência espírita.

WILLIAN  CROOKS -  Sábio, filósofo e físico inglês membro da Sociedade Real de Londres, autor de várias descobertas entre elas o da matéria em seu estado radiante, deu imensa contribuição na pesquisa e catalogação de fenômenos de materializações e método científico.

CEZAR LOMBROSO – Italiano, médico antropologista.

LEON DENIS -  Sábio,  escritor e conferencista autodidata, consolidador do espiritismo, desenvolveu estudos doutrinários e impulsionou o movimento espírita na França e no mundo, aprofundando-o no aspecto moral.

No Brasil, tivemos sumidades não menos importante, influenciados pelos amigos europeus no movimento que atravessava o oceano.

CAIRBAR SCHUTEL – farmacêutico, dirigente de centro espírita num momento hostil e desbravador para a doutrina.

 EURIPÍDES BARSANULFO- jornalista, vereador, professor, médium ostensivo de cura dedicado a causa.

 ANTONIO GONÇALVES A SILVA -  (Batuíra) Médico.

ADOLFO BEZERRA DE MENEZES - O Médico dos pobres – Médico, cirurgião tenente, jornalista, presidente da Federação Espírita Brasileira, exemplificação máxima da doutrina espírita no aspecto  religioso.

Cento e cinqüenta anos se passaram, equivalente a duas gerações humanas de setenta anos na terra!  A primeira, o Fiat lux,  praticamente a do próprio visionário Kardec, a segunda, de continuadores desbravadores da cultura hostil materialista, em todos os lugares que a espiritualidade achou estrategicamente por bem colocar,  desde aldeiazinhas longínquas cujo o líder detém mediunidade e passa seus conhecimentos, como nas grandes metrópoles de jovens acadêmicos. Assim na esteira do tempo,  para o espiritismo ser o que é hoje, desenvolveu-se O MOVIMENTO ESPIRITA.

· Movimento é o conjunto de todas as atividades e esforços no objetivo de fortalecimento e concretização de  um ideal. Movimento espírita é , estudar, divulgar e praticar a Doutrina Espírita, contida nas obras básicas de Allan Kardec, colocando-a ao alcance e a serviço de toda a Humanidade.

· As atividades que compõem o Movimento Espírita são realizadas por pessoas, isoladamente ou em conjunto, e por Instituições Espíritas.

· As Instituições Espíritas compreendem:

¨ Os Grupos, Centros ou Sociedades Espíritas, que desenvolvem atividades gerais de estudo, difusão e prática da Doutrina Espírita e que podem ser de pequeno, médio ou grande porte;

¨ As Entidades Federativas, que desenvolvem as atividades de união das Instituições Espíritas e de unificação do Movimento Espírita;

¨ As Entidades Especializadas, que desenvolvem atividades espíritas específicas, tais como as de assistência e promoção social e as de divulgação doutrinária;

¨ Os Pequenos Grupos de Estudo do Espiritismo, fundamentalmente voltados para o estudo inicial da Doutrina Espírita.

“Os Espíritos anunciam que chegaram os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal e que, sendo eles os ministros de Deus e os agentes de sua vontade, têm por missão instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade.” Allan Kardec
(O Livro dos Espíritos – Prolegômenos)

Ainda estamos no fim da  segunda parte da luta “expansionista” espírita, após a primeira, legada  a partir do grande colonizador de corações pela razão: ALLAN KARDEC, com expoentes que desbravaram com suas lágrimas uma cultura de imperialismo materialista, egoísta e antropocêntrica, para que tivéssemos hoje, passados mais de 150 anos, o conhecimento que temos dessa doutrina esclarecedora dos porquês existenciais.  A criação de centros espíritas, federações com regimentos, sistematização de atividades, propagações da doutrina agora numa forma institucional mais solidificada, sedimentada, deve-se a esses desbravadores, sejam sábios, médicos, médiuns, simples trabalhadores, mas de boa vontade e sobre tudo de fibra moral, para enfrentar as adversidades e indiferenças,  combatendo as próprias limitações que é o que a doutrina mais quer de nós, como exemplo para a posteridade.  A doutrina conta com um acervo literário esclarecedor inenarrável. O Cristo continua o trabalho, e conta com missionários atuais para a expansão do amor, novos missionários da  crença  revelada pelo Cristo.

Como são etapas,  tudo é uma seqüência de aprendizado em um determinado momento,  para  mudança significativa  posterior! A tendência é caminharmos pra uma TERCEIRA PARTE, da mesma forma institucional, mas, valendo mais o fundo que a forma, voltando a simplicidade dos primeiros cristãos, entre simples, necessitados, pequeninos sem preconceitos e entraves de formalidades burocráticas dogmáticas doutrinárias  que distanciam mais que aproximam.  

“O Espiritismo é uma questão de fundo; prender-se à forma seria puerilidade indigna da grandeza do assunto. Daí vem que os centros que se acharem penetrados do verdadeiro espírito do Espiritismo deverão estender as mãos uns aos outros, fraternalmente, e unir-se para combater os inimigos comuns: a incredulidade e o fanatismo.”
 Allan Kardec

Se é verdade que o espiritismo se estabelece,  expandindo-se politicamente, institucionalmente formalizado e reconhecido de direito, e socialmente aceito agora como religião popular, A LUTA AINDA NÃO PARA COM PANHEIROS!

Como ELE não veio destruir a lei, haveremos também  de ressaltar que Nessa TERCEIRA PARTE do movimento, as instituições serão as mesmas em seus tijolos sólidos, porém com mais amor por parte de quem, em suas paredes, se abriga; com ênfase ao respeito às diferenças; menos preconceitos; mais envolvimento na realidade dos irmãos necessitados e suas problemáticas; no sacrifício prazeroso e constante das nossas comodidades e conveniências pelo trabalho ao próximo, numa volta ao Cristianismo puro dos primeiros cristãos.

Maria Modesto Cravo, uma das lídimas representante contemporânea do movimento, desencarnada, no livro OS DRAGÕES, nos alerta para o Espiritismo intelectual de seminários, de  oratórias, de plateias, onde o orgulho, a vaidade e o ego passeiam a espreita; o espiritismo da formalidade e burocracia, que distancia mais que aproxima, que vê mais a forma que o conteúdo, com formalidades, cobranças para servir ao ideal,  com ortodoxias onde o próprio mestre Kardec  disse que não era a última palavra, mas o começo para a discussão.

Espiritismo também não pode ser místico ou mitológico, é trabalho paralelo com as inovações científicas, posto que é dinâmico, não estático. Nos obriga a estudar para mudarmos paradigmas. Espiritismo  é positivista, tem que passar pela averiguação de quem se aventure a segui-lo. É  evolucionista. Estando a ciência em confronto com ele ficássemos com a ciência, falou-nos o mestre lionês! Tudo isso com o propósito, agora na colonização dos corações,  no sentimento, no abrandamento dos costumes, suavização das culturas, em aspecto geral para que o amor encontre campo fértil e finque sua bandeira, e se exerça pleno em uma nova sociedade de regeneração e felicidade!

Influência do Espiritismo no Progresso

798. O Espiritismo se tornará crença comum, ou ficará sendo partilhado, como crença, apenas por algumas pessoas?

“Certamente que se tornará crença geral e marcará nova era na história da humanidade, porque está na natureza e chegou o tempo em que ocupará lugar entre os conhecimentos humanos. Terá, no entanto, que sustentar grandes lutas, mais contra o interesse do que contra a convicção, porquanto não há como dissimular a existência de pessoas interessadas em combatê-lo, umas por amor-próprio, outras por causas inteiramente materiais. Porém, como virão a ficar insulados, seus contraditores se sentirão forçados a pensar como os demais, sob pena de se tornarem ridículos.”
(O Livro dos Espíritos - Parte 3ª - Cap. VIII )  

MISSÃO DOS ESPÍRITAS

Ide, pois, e levai a palavra divina: aos grandes que a desprezarão, aos eruditos que exigirão provas, aos pequenos e simples que a aceitarão; porque, principalmente entre os mártires do trabalho, desta provação terrena, encontrareis fervor e fé.

Arme-se a vossa falange de decisão e coragem! Mãos à obra! o arado está pronto; a terra espera; arai!

Ide e agradecei a Deus a gloriosa tarefa que Ele vos confiou; mas, atenção! entre os chamados para o Espiritismo muitos se transviaram; reparai, pois, vosso caminho e segui a verdade. Erasto
(O Evangelho Seg. o Espiritismo - Cap. XX - item 4)


Por Ricardo Souto
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